domingo, 20 de junho de 2010

2 - Experiência em EJA: Um Conto que fez história!


Nunca esqueci daquela turma de 62 alunos, em EJA, na comunidade Rosane Collor, no bairro do Clima Bom II, na cidade de Maceió/AL – (1999/2000), quando diante daqueles corpos cansados do cotidiano e olhares penetrantes para o quadro que com giz lineavam conteúdos abordados e dinâmicos em meio a projetos pedagógicos, em sala de aula, resolvi apresentar-lhe três flores do meu jardim para que pudéssemos refletir sobre os diversos detalhes e serventia das mesmas, uma vez que se tinha em sala uma mistura de cultura “religiosa”, valores, etnia, classe sócio-econômica e faixas etária diferentes.
Distribui três folhas de papéis dobradas ao meio em forma de livrinhos, onde todos tiveram a liberdade e oportunidade de criar, inventar, inovar, fazer acontecer. Então, pude ver e ler histórias lindas que ambos apresentaram livremente uns para os outros, mas um aluno me chamou atenção com sua narração da qual nunca esqueci.
O jovem tinha 15 anos, acordava 3:00h da manhã para acompanhar e trabalhar com seu pai em uma padaria num bairro nobre e distante. Cochilava muito na sala, menino de pouca conversa que tinha muito interesse em querer aprender e ultrapassar daquela 3ª fase para série seguinte.
Naquelas simples folhas Ele escreveu:
“Que ao sair da escola e chegando em casa cansado, após banho e café, ele foi para o quarto, abriu a janela e logo deitou, se cobriu com lençól deixando seus pés e rosto descobertos, sentiu uma pequena pancada de um objeto que ligeiramente havia passado pela janela, pois o mesmo estava a olhar às estrelas quando viu algo passar. Curioso levantou-se e pôs a procurar, achou no chão uma semente. Ele queria saber qual era a espécie, levantou-se pegou um bule com estrume e água, plantou e observou durante dias, sempre à noite por que a correria do dia não o deixava tempo para sua observância.
Dias depois percebeu que era um pé de rosa. Ingênuo, ele escondeu com cuidado debaixo da cama. Mais ficou triste um dia ao chegar e não mais encontrar a planta que cuidara com tanto amor. Na verdade sua mãe ao varrer o local a encontrou e dividiu em vários galhos e plantou frente a sua moradia. Quando comunicado entendeu que foi para o bem. Juntos começaram a cuidar da mesma, ficando o caminho até sua porta florido! De repente, não sabe como, numa sexta-feira ao chegar em casa as viu destruídas, tiradas do solo suas raízes. Rodolfo soube que alguém com muita maldade havia feito aquilo. Chorou revoltado! Deu febre, calafrio. O mesmo faltou à escola e o trabalho, pois não estava bem. Mas sua mãe preocupada pegou alguns galhos e novamente as plantou em outro lugar. Elas naturalmente renasceram, cresceram e brotaram lindas flores. Amigos, visinhos puderam pegar novos galhos e plantar. Rodolfo (garoto real da estória), disse com suas palavras que novos jardins floriram, e aquelas rosas que ali estavam na sala de aula havia sido resultado da semente plantada um dia, por ele”.
Quando li, chorei! O parabenizei! O incentivei a publicar seu trabalho.
Dez anos se passaram.., não vi mais aquele menino.
Sei que o assunto teve cunho didático, aproveitamos ao máximo em sala, unificamos saberes dentro do parâmetro curricular que rege a modalidade em E.J.A, incisa na LDB. 9394/96, mas o que objetivou esse material foi ver o nosso papel de professor, até onde podemos ser ponte para essa construção de talentos.

Maria José da Silva
Licenciatura em Pedagogia/ULBRA
Efetiva da Secretaria de Est. da Educação e do Esporte/AL/ATSG
Homenagem ao aluno: Rodolfo de Melo da Silva- (Esc.Mun.Luiz Pedro II-1999/2000)
E-mail:pedagmara.alagoas@yahoo.com.br
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”Ninguém nasce feito, é experimentando-nos no mundo que nós nos fazemos” Freire.

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